25.04.2026

Celebramos hoje 52 anos da Revolução de Abril, onde graças à coragem do Povo, o País vive agora há mais anos em Liberdade e Democracia do que viveu num regime de Ditadura.  

A passagem e a distância do tempo por vezes suavizam a verdade. O mito ganha formas para o bem e para o mal e a memória torna-se difusa e mais suscetível a ser adulterada.

Na APAD não esquecemos os 48 anos em que em Portugal não se podia exprimir para lá do que era conveniente ao regime. Não esquecemos de quase cinco décadas de autores, guionistas e dramaturgos que viviam amordaçados pelo Estado Novo. Portugueses que viam os seus trabalhos serem escrutinados pelo lápis azul da censura e iam parar a listas negras por querer relatar o seu tempo, por querer praticar o seu ofício.  

Gerações de argumentistas e dramaturgos que, como todos os Portugueses, recusaram-se a viver no medo e resistiram com a sua arte. Se tivemos uma Revolução em 1974, também se deve ao Teatro de revista, ao Novo Cinema Português, às centenas de peças, de guiões, de obras que arriscavam contornar as regras do regime para dar voz e trazer a verdade aos Portugueses. 

Para eles, 25 de Abril sempre. 

Na APAD não esquecemos o trabalho que tem sido feito nos últimos 52 anos, um trabalho de manter a verdade viva, de não trivializar a data. Temos em Democracia o peso de lembrar o passado, mas igualmente defender a liberdade no presente e no futuro.  Acreditamos que em Democracia todos devem ter voz, não deixaremos passar os que pretendem recuar cinco décadas suavemente amordaçando-nos sob um manto de um Portugal do bem. 

Portugal é do bem em Liberdade e Democracia, assim o diz os milhares de argumentistas e dramaturgos que nestes últimos 52 anos puderam exercer o seu ofíciosem ter de pensar se cada palavra que escrevem será cortada, sem medo de levar à tela, à TV e aos teatros a sua verdade, o seu olhar sobre o País.

Para nós, 25 de Abril sempre. 

“Sempre”: Porque nós autores descemos diariamente a avenida, erguemos os nossos cravos e exigimos um Portugal mais livre e justo a cada guião que escrevemos, a cada filme, série, peça, telenovela que é exibida. 

Guionistas e dramaturgos, associados da APAD, tenham orgulho no peso que carregamos e que nos foi dado há 52 anos: NÓS também somos a voz de Abril. 

Convido-vos, portanto, a partilharem uma mensagem, um texto, uma série, filme ou peça que tenham escrito que mantenha a memória e a verdade viva. 

25 de Abril Sempre. 

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